
O primeiro Congresso desta série foi realizado em Jerusalém, em 1990, sob o título “Crianças e Guerra”. O evento teve como tema central o sofrimento psicológico causado pela perseguição de crianças judias e suas famílias durante, e após, o Holocausto.
Três anos depois, em 1993, uma segunda conferência ocorreu em Hamburgo, sob o título “Crianças, Guerra e Persecução”. Além de retomar os temas discutidos anteriormente, como a dor e a destruição infligidas às crianças judias, ampliou-se o foco para o impacto psicológico da violência militar e da perseguição política em países do Sul Global, especialmente na América Latina e em África. Foram abordadas, em particular, as experiências de migração e exílio forçados de crianças e adolescentes que buscaram refúgio em cidades como Hamburgo.
O terceiro Congresso teve lugar em Maputo, em 1996, com o título “Crianças, Guerra e Persecução – Reconstruindo a Esperança”. Mantendo os eixos temáticos anteriores, o evento introduziu uma nova e urgente questão: a instrumentalização de crianças como soldados em vários países, incluindo Moçambique. Foi nesse Congresso que se fundou a organização moçambicana “Associação Reconstruindo a Esperança”, dedicada ao tratamento psicanalítico de ex-crianças-soldados e, mais recentemente, ao cuidado de crianças sobreviventes da violência militar no norte de Moçambique. O encontro também marcou o início da construção de uma base sólida para a formação psicodinâmica no país.
Trinta anos depois, o quarto Congresso foi novamente sediado em Maputo, em 2026. O evento pretendeu revisitar os temas dos encontros anteriores, agora sob perspectivas críticas do Sul Global. Foi também uma homenagem ao psicanalista Peter Riedesser (falecido em 19 de setembro de 2008), cuja dedicação foi fundamental para a realização dos Congressos de Hamburgo e Maputo, bem como para o trabalho com crianças refugiadas em Hamburgo e para o fortalecimento da psicanálise e da formação profissional em Moçambique e na África do Sul.
O Congresso de 2026 foi precedido por um Pré-Congresso online, realizado no dia 10 de maio de 2025.
O Professor Dan Bar-On lecionou no Departamento de Ciências do Comportamento da Universidade Ben-Gurion do Negev, Israel, foi um dos idealizadores do I Congresso Crianças e Guerra.
O Professor Dan Bar-On lecionou no Departamento de Ciências do Comportamento da Universidade Ben-Gurion do Negev, Israel, foi um dos idealizadores do I Congresso Crianças e Guerra.
O IV Congresso Internacional de Psicanálise reuniu, em Maputo, especialistas de diferentes países em torno de um compromisso comum: escutar e apoiar a elaboração do sofrimento psíquico de crianças e adolescentes expostos à guerra, à perseguição e a outras formas de violência organizada. Ao longo de três dias de intenso intercâmbio científico e clínico, o congresso promoveu o diálogo entre a psicanálise e outras áreas do conhecimento, reafirmando a importância da prevenção primária da violência infligida às crianças, mas também onde esta prevenção não acontece, de promover a escuta psicanalítica das crianças sobreviventes.
As comunicações apresentadas evidenciaram a diversidade dos contextos em que crianças continuam a ser expostas à violência extrema. Mereceu especial destaque o trabalho psicanalítico desenvolvido no norte de Moçambique, junto de crianças e adolescentes afetados pelo conflito armado, onde, muitas vezes, são aliciados em nome de uma jihad islâmica a juntarem-se às fileiras das forças não estatais. Foram partilhadas experiências de intervenção em Gaza, onde a terapia lúdica tem contribuído para o cuidado de crianças sobreviventes da guerra. As apresentações abordaram o sofrimento de crianças atingidas pela guerra na Ucrânia e na Rússia, bem como de crianças refugiadas provenientes de diferentes regiões do mundo. Foram ainda discutidas as múltiplas formas de violência que afetam crianças em países de África, Ásia e América do Sul, marcadas pelo narcotráfico, pelo racismo estrutural, pela pobreza e pela exclusão social.
Ao longo do congresso permaneceu como questão central a mesma interrogação: “como aliviar o sofrimento psíquico destas crianças, favorecer a sua reintegração social e preservar a possibilidade de esperança?” Em termos psicanalíticos, procuraram-se caminhos que permitam transformar experiências traumáticas e abrir novos destinos para a vida.
O congresso integrou um percurso científico iniciado com diversas atividades preparatórias e que prossegue através de um ciclo de Sessões Pós-Congresso, destinado a aprofundar os temas debatidos, promover o diálogo entre os participantes e fortalecer a rede internacional de cooperação construída em torno desta iniciativa.
As comunicações científicas serão disponibilizadas neste espaço, juntamente com a Declaração de Maputo, documento aprovado pelos participantes que sintetiza os principais compromissos assumidos durante o congresso. Mais do que um documento final, a Declaração constitui um apelo à ação em defesa da proteção, da dignidade e da vida das crianças, convocando profissionais, instituições, decisores políticos e a sociedade civil para uma responsabilidade partilhada perante as múltiplas formas de violência que continuam a afetar a infância.
O próximo encontro do ciclo de Sessões Pós-Congresso realizar-se-á no dia 19 de setembro de 2026, dando continuidade ao compromisso científico, clínico e humano assumido pelo IV Congresso Internacional de Psicanálise: compreender o sofrimento, reconstruir a esperança e reforçar a proteção das crianças em contextos de guerra, perseguição e violência organizada.
Fotos do congresso estão disponíveis aqui.
O IV Congresso Internacional de Psicanálise reuniu, em Maputo, especialistas de diferentes países em torno de um compromisso comum: escutar e apoiar a elaboração do sofrimento psíquico de crianças e adolescentes expostos à guerra, à perseguição e a outras formas de violência organizada. Ao longo de três dias de intenso intercâmbio científico e clínico, o congresso promoveu o diálogo entre a psicanálise e outras áreas do conhecimento, reafirmando a importância da prevenção primária da violência infligida às crianças, mas também onde esta prevenção não acontece, de promover a escuta psicanalítica das crianças sobreviventes.
As comunicações apresentadas evidenciaram a diversidade dos contextos em que crianças continuam a ser expostas à violência extrema. Mereceu especial destaque o trabalho psicanalítico desenvolvido no norte de Moçambique, junto de crianças e adolescentes afetados pelo conflito armado, onde são aliciados, em nome de uma jihad islâmica, a juntarem-se às fileiras das forças não estatais. Foram partilhadas experiências de intervenção em Gaza, onde a terapia lúdica tem contribuído para o cuidado de crianças sobreviventes da guerra. As apresentações abordaram o sofrimento de crianças atingidas pela guerra na Ucrânia e na Rússia, bem como de crianças refugiadas em diferentes países do mundo, fugindo da guerras e persecuções. Foram ainda discutidas as múltiplas formas de violência, tais como narcotráfico, pelo racismo estrutural, pela pobreza e pela exclusão social narcotráfico, pelo racismo estrutural, pela pobreza e pela exclusão social, que afetam crianças em países de África, Ásia e América do Sul e não só.
Ao longo do congresso permaneceu como questão central a mesma interrogação: “como aliviar o sofrimento psíquico destas crianças, favorecer a sua reintegração social e preservar a possibilidade de terem esperança no futuro?”. Procurar caminhos que permitam elaborar psiquicamente experiências traumáticas e reconstruir a esperança.
O congresso integrou um percurso científico iniciado com diversas atividades preparatórias e que prossegue através de um ciclo de Sessões Pós-Congresso, destinado a aprofundar os temas debatidos, promover o diálogo entre os participantes e fortalecer a rede internacional de cooperação construída em torno desta iniciativa.
As comunicações científicas serão disponibilizadas neste espaço, juntamente com a Declaração de Maputo, documento aprovado pelos participantes que sintetiza os principais compromissos assumidos durante o congresso. Mais do que um documento final, a Declaração constitui um apelo à ação em defesa da proteção, da vida e da dignidade das crianças, convocando profissionais, instituições, decisores políticos e a sociedade civil para uma responsabilidade partilhada perante as múltiplas formas de violência que continuam a afetar a infância.
O próximo encontro do ciclo de Sessões Pós-Congresso realizar-se-á no dia 29 de setembro de 2026, dando continuidade ao compromisso humanitário, científico e clínico assumido pelo IV Congresso Internacional de Psicanálise: compreender o sofrimento, reconstruir a esperança e reforçar a proteção das crianças em contextos de guerra, perseguição e violência organizada.
Fotos do congresso estão disponíveis aqui.
















Bóia Efraime Jr., Moçambique (Presidente)
Afonso Benfica, Moçambique
Alexandra de Mello, Moçambique
Antónia Fernandes, Portugal
Augusto Guambe, Moçambique
Belchior Canivete, Moçambique
Christina Haberling, Suíça
Cláudia Ribeiro Martins, Brasil
Denise Abreu, Brasil
Edson Saggese, Brasil
Fazila Rebelo, Moçambique
Gregor Busslinger, Suíça
Hubertus Adam, Alemanha
Ieda Prates, Brasil
Ignácio Paim, Brasil
Inajara Amaral, Brasil
Joachim Walter, Alemanha
Jorge Cassicasse, Moçambique
Josiane Barbosa, Brasil
Katia Paim, Moçambique
Kingsley Arinze, Nigéria
Luísa Branco Vicente, Portugal
Marianne Rauwald, Alemanha
Marisa Ramos, Moçambique
Mónica Cardenal, Argentina
Narciso Faduco, Moçambique
Omar Branco, Colômbia
Rosmarie Barwinski, Suíça
Sandra Torossian, Brasil
Sheila Melzak, UK
Yumna Yussuf, Moçambique
Fernanda Teixeira (Presidente)
Afonso Benfica, Moçambique
Andreia Marina, Moçambique
Augusto Guambe, Moçambique
Azarias Castomo, Moçambique
Bóia Efraime Júnior, Moçambique
Carlos Manjate, Moçambique
Cláudia Ribeiro Martins, Brasil
Dorotéia Chipande, Moçambique
Elizabeth Gomes, Moçambique
Jorge Cassicasse, Moçambique
Kenia Peres, Brasil
Marisa Gomes, Moçambique
Narciso Faduco, Moçambique
Plínio Langacitela, Moçambique
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